12/04/2007

Ciclo Vital de uma Bilhardice

Como principia um comentário, uma bilhardice, uma novela, ou quem sabe um bestseller….
A nossa imaginação é muito traiçoeira, muito inventiva, cheia de retoques e aperfeiçoamentos pessoais.
Conseguimos desenredar mil e uma histórias onde não existe nem uma. Noutras ocasiões, muito raramente, conseguimos começar uma bilhardice qualquer com base num facto verídico…Mais insólitas, estas últimas… Contudo, até estas podem começar em “Preto” e acabar em “Branco”, ou começar em “Frio” e acabar em “Quente”…
E qual o nosso sentido mais enganador? A visão… Uma imagem diz mais que mil palavras? E porquê? Porque pode ter um milhão de interpretações, para apenas meia dúzia de pessoas… Meia dúzia que velozmente fornecem as suas versões do que viram a outras “meias dúzias”, que por conseguinte irão interpretar de forma divergente uma vez mais…
Quem nunca ouviu ou mesmo disse: “Vou te contar isto, mas não digas nada a ninguém, porque pediram-me para não comentar!”… Ah pois, se estivesse escrito na testa de cada um… E quem sou eu, já o ouvi e já o disse…
Deve ser por isso que dizem que quanto mais escondido pior, ou será ao contrário?! Mas também quem não teme não esconde, acho eu, na minha humilde filosofia…
E como acaba uma bilhardice??? Bem, penso que, ou termina com a verdade bem manifesta ou com um terrível tumulto e confusão….
Mas o que seria da nossa vida sem o gostinho de cuscar o que se passa em nosso redor?
O vice-versa é que já não é tão agradável!
Imagem: Pormenor de "Two Seated on the Wall" Juan Muñoz, 2001

3 comentários:

Anónimo disse...

Um dia ouvi uma frase que fixei...não sei bem porquê...
-"A tua vidinha não te chega?"
-"Chega...mas a tua interessa-me!"
Fiquei a pensar e concluí que, em boa verdade, a nossa própria vida só tem significado se a pudermos comparar com a dos outros, nem que seja só aparentemente.
Vemos nos outros reflectida uma imagem, a nossa, e gostamos de saber em que pé estamos, se de igualdade, inferioridade ou superioridade. É exactamente aqui que entra a bilhardice, se não conseguimos ser melhor que os outros, então que sejam eles a descer para o nosso nível, e para isso, nada como alguns comentários plenos de malvadez. É como começar uma bela fogueira, colocamos a lenha, ateamos-lhe lume em um ou dois sítios e a partir daí vamos ajeitando com mais lenha até que temos um belo fogo...assim se vive em sociedade(?)
Todos nós sabemos que um boato tem mais força que uma verdade explícita, porquê? simplesmente porque o ser humano é do mais curioso que existe, e os segredos alheios, ou melhor, das meias verdades que conhecemos, fazemos logo um enredo policial, cheio de indícios e de provas circunstanciais...vi-os no café, parece-me que se olham de forma diferente, parece que não dormiu em casa, ou pura e simplesmente inventamos enredos a nosso bel prazer.
Quando o circo pega fogo, ninguém sabe quem começou o boato, todos acrescentaram um ponto à história original, e o que muitas vezes começa como um mísero comentário é transformado numa novela digna de televisões brasileiras, um género de páginas da vida, em que se contam meias verdades e o resto é pura ficção.
Temos que apreder a viver neste mundo de meias verdades, afinal pertencemos a ele, quer queiramos ou não...
E tu, que meias verdades contas ou pelo contrário, que meias verdades escondes...
"Desta água não beberei"...não é assim?
Pkenino

Claudia disse...

Que meias verdades conto ou escondo?
Desta água não beberei é simplesmente um provérbio, a vida real é muito mais complexa e torneada!

Jsilvio disse...

Bilhardeiraaaaaaaaaa :)****